sexta-feira, 11 de abril de 2008

Evolução: resistir é inútil!

A Universidade de Harvard enviou para a USP células-tronco de embriões humanos para realização de pesquisas. Como se trata de um tema polêmico, antes de se iniciar os trabalhos, eles precisariam de uma autorização do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 3510, contra o artigo 5º da Lei de Biossegurança foi aprovada pela Câmara dos Deputados e vai a julgamento na próxima quarta-feira, dia 05, no Supremo Tribunal Federal.

Esse tema me interessa muito pois, esse julgamento significa a esperança de cura para centenas de milhares de pessoas. As células-tronco embrionárias são capazes de se transformar em qualquer outro tipo de tecido humano e as pesquisas com elas vão definir (num futuro quem sabe bem próximo – entre 10 e 30 anos) a existência ou não de tratamento para inúmeras doenças degenerativas que atingem a população e que hoje são consideradas incuráveis, como Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson, Diabetes, lesões de medula e outras inúmeras doenças neuromusculares – incluo nessa lista a Miastenia Gravis.

O ministro Carlos Alberto Direito é o principal crítico da permissão das pesquisas com células-tronco embrionárias no STF. Existe sim o lobby da Igreja Católica, que é pouco evidente, mas feito entre todos os ministros. Na semana passada, por exemplo, todos eles receberam uma montanha de documentos, enviada pelos advogados que representam a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil. Nos papéis estão supostos resultados de estudos feitos por cientistas com células-tronco adultas. Dados que, segundo tais advogados, tornariam desnecessárias as pesquisas com células-tronco embrionárias. - Basicamente, existem dois tipos de células-tronco: as extraídas de embriões e as obtidas de tecidos não embrionários. As células-tronco obtidas de tecidos não embrionários são um grupo de células com capacidade de se regenerar e de se diferenciar em vários tipos celulares que compõe os tecidos de onde foram retiradas. Mas as células-tronco embrionárias podem mais, têm a capacidade de gerar células de outros órgãos e tecidos e não se limitam em só gerar tipos celulares que compõe tecidos e órgãos específicos de seu local de origem!

Porém, eu, assim como o deputado Darcísio Perondi do PMDB, que foi o relator da Lei de Biossegurança, quero acreditar no julgamento dos ministros e não aceitar que o STF vá enterre esperanças e atrase um desenvolvimento que não pode ser impedido!

Os opositores das células-tronco embrionárias afirmam que essas pesquisas se caracterizam como aborto e o foco da principal (e antiga) discussão é o mesmo: onde começa a vida? Mas agora não é apenas uma discórdia filosófica/religiosa onde cada um pode chegar a conclusão que achar melhor. Não, agora é uma situação que, se bem resolvida, pode melhorar a vida de muitas pessoas e salvar outras tantas (ou pelo menos será uma tentativa).

Na minha opinião não existe aborto nesses casos, porque as fertilizações são feitas in vitro, em laboratório, e os embriões não são inseridos no útero da mãe. Existe uma lei que estabeleceu que só poderão ser utilizados os embriões inviáveis ou os congelados há pelo menos três anos - sabe o que acontece hoje com esses embriões? são descartados após três anos! E isso mesmo vão parar no lixo! Se podem ser jogados fora, porque não podem ser doados para pesquisas??? Acho muita hipocrisia! Tenho certeza que quando a pesquisa for feita (é porque se não for feita aqui no Brasil será feita em outro país) e se der resultados, os mesmos que proíbem os estudos hoje se beneficiaram – sem nenhum remorso ou indagação – dos benefícios como remédios e terapias! (Parece que os humanos realmente não aprendem nada com a História)

No Brasil, existem mais de sete mil doenças genéticas degenerativas, que atingem mais de cinco milhões de recém nascidos que têm pais saudáveis. São crianças que já nascem marcadas para morrer. Os acidentes no país lesionam a medula de cerca de dez mil pessoas por ano. Esses seres humanos só podem aguardar, deitados em camas e presos em cadeiras de roda, que alguém possa ajudá-los e que alguém consiga transformar esperanças em realidade!

Um comentário:

Zulma disse...

Gostaria de contribuir com duas informações recentes, importantíssimas, que não são divulgadas por certos veículos de comunicação:
1 – “Pesquisa com células embrionárias fracassou”
http://www.andoc.es/
Foi declarado pela Dra. Natalia López Moratalla, catedrática de Biologia Molecular e Presidente da Associação Espanhola de Bioética e Ética Médica, que «as células-tronco embrionárias fracassaram; a esperança para os enfermos está nas células adultas» e «hoje a pesquisa derivou decididamente para o emprego das células-tronco 'adultas', que são extraídas do próprio organismo e que já estão dando resultados na cura de doentes».
2 - Chegaram as Células-Tronco “Reprogramadas” iPS
http://www.isscr.org/public/briefings/breakthrough.html
As células humanas iPS são similares às células-tronco embrionárias, porém são derivadas de células adultas do próprio paciente: não precisam enfrentar a rejeição imunológica, têm potencial comprovado de uso em terapia, não precisam mais ser obtidas com a introdução de genes ou com a utilização de retrovírus como vetor, e a sua utilização para tratamento de doenças graves independe da aprovação do Artigo 5º da Lei de Biossegurança.
Aproveito para endossar as palavras da geneticista Paula Costa: “o comentário sobre a utilização de células-tronco embrionárias ao invés de adultas, com objetivos de obter financiamento, é absurdo” (Folha Online 27/04/2008).